domingo, 6 de maio de 2012

Elisa Guaraná de Castro Abre os Debates Contemporâneos sobre Juventude(s)

 Profa. Elisa Guaraná de Castro no Auditório Central da UVA


Na noite do dia 25 de abril de 2012, no Auditório Central da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), no campus da Betânia, em Sobral, ocorreu a abertura dos Debates Contemporâneo(s) sobre Juventude(s) - Ciclo de Palestras, organizado pelo GEPECJU com o apoio da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude da Prefeitura Municipal de Fortaleza e da UVA. 
A palestra de abertura foi proferida pela Profa. Dra. Elisa Guaraná de Castro, docente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e assessora da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ). Abordando o tema Juventude e Políticas Públicas, a professora iniciou sua fala com um histórico da participação juvenil no Brasil e das políticas públicas de juventude. Em seguida, falou do atual contexto das políticas de juventude, enfatizando as ações e os desafios da SNJ e do Conselho Nacional de Juventude (CONJUV) na efetivação de uma política pautada na ampla participação dos jovens brasileiros. Nesta perspectiva, deu especial enfoque à Conferência Nacional de Juventude, relatando seus principais resultados e anunciou a criação do Participatório, mecanismo pensado pela SNJ para ampliar o diálogo entre governo e sociedade no que concerne aos temas relacionados às juventudes, aliando pesquisa e participação.
A palestra de Elisa Guaraná em Sobral contou com ampla participação de professores, estudantes e profissionais de diversas áreas não só da UVA como de outras instituições.
Na tarde do dia 26, Elisa abordou o mesmo tema no Auditório Luiz de Gonzaga, do Departamento de Ciências Sociais da UFC, no campus do Benfica.
Os Debates Contemporâneos sobre Juventude(s) se estenderão até o final do ano de 2012 com uma programação de palestras realizadas em Sobral e em Fortaleza. Para junho está prevista a palestra sobre Juventude Rural com a Profa. Dra. Celecina Veras (UFC), além de já estarem confirmadas as presenças do Prof. Dr. Paulo César Carrano (UFF), em agosto e da Profa. Dra. Regina Novais (UFRJ), em setembro.


Membros do GEPECJU com a Profa. Elisa Guarané de Castro



quarta-feira, 2 de maio de 2012

José Machado Pais Lança Novo Livro

Sexualidade e Afectos Juvenis
(José Machado Pais)
 
 Este livro explora cartografias sentimentais do mundo dos jovens: imaginários, anseios, expectativas… mas também experiências afectivas, vida sexual, paixões e desgostos de amor. Jovens e respectivos pais são convidados a debater a educação sexual, confrontando-se as suas atitudes perante a sexualidade, os namoros e tradições veiculadas por provérbios. É um livro que aborda as imagens corporais na construção da identidade juvenil, as estratégias de sedução, os próprios actos de nomeação (alcunhas) nas relações sociabilísticas. Sobressaem caminhos metodológicos que valorizam as virtualidades semânticas do que os jovens pensam quando nos falam da realidade vivida. Por isso, ao analisarem-se os conflitos familiares, valorizaram-se conceitos sensibilizadores como jogo de corda, trepar, caldo entornado, apalpar terreno, estoirar dinheiro, rédeas curtas, rédeas largas… Enfim, um livro sobre jovens, escrito a pensar neles, mas também nos seus pais, tão frequentemente desarmados frente às surpresas que, inesperadamente, saltam do armário usado como metáfora dos mistérios da adolescência.
 
 
 

Nova Representação do GEPECJU no Conselho de Juventude de Sobral


Jocélio Morais Pereira, aluno do curso de Pedagogia da Universidade Estadual   Vale do Acaraú (UVA) e membro do GEPECJU desde a sua criação é o novo representante do Grupo no Conselho Municipal de Juventude de Sobral, importante espaço de discussão das políticas públicas de  juventude no município. Jocélio substituirá a professora Fabiana Araújo Lima que nos representava desde o ano de 2010 e que pediu afastamento para cursar o mestrado em Saúde da Família na Universidade Federal do Ceará.

sábado, 14 de abril de 2012

Debates Contemporâneos sobre Juventude(s) - Ciclo de Palestras

O GEPECJU, com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza e da UVA, inicia nesse mês de abril um ciclo de palestras que trará a Sobral e Fortaleza pesquisadores da temática da juventude. As palestras ocorrerão bimestralmente e terão início no dia 25 de abril com a Profa. Dra. Elisa Guaraná de Castro, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro que também ocupa cargo na Secretaria Nacional de Juventude.

Participem!!!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

"Não há meninas prostitutas", diz antropóloga

Agência Patrícia Galvão

mariatherezadeassismoura_ascomstj260(Débora Diniz, especial para O Estado de S. Paulo) Ainda estou para entender o que os magistrados brasileiros descrevem como “realidade”. Muito antes da pós-modernidade, essa palavra provocava tremores nos cientistas sociais. A realidade depende de quem a descreve e, mais ainda, de quem experimenta sua concretude na própria pele. A tese de que o Direito precisa se “adequar às mudanças sociais” foi a sustentada pela ministra do Superior Tribunal de Justiça Maria Thereza de Assis Moura para inocentar um homem adulto que violentou sexualmente três meninas de 12 anos. Não haveria absolutos no direito penal, defendeu a ministra, pois os crimes dependem da “realidade” das vítimas e dos agressores. Foram as mudanças sociais que converteram as meninas em prostitutas ou, nas palavras da ministra Maria Thereza, “as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo”.
“Já estavam longe” foi um recurso discursivo que atenuou o sentido imperativo do julgamento moral da ministra sobre as meninas. Uma forma clara de traduzir seu pronunciamento sobre o caso é ignorar a atenuante e reler os adjetivos por seus antônimos. “As meninas eram culpadas, maliciosas, conscientes e informadas a respeito do sexo”, por isso não houve crime de estupro. Para haver crime de estupro, segundo a tese da ministra, é preciso desnudar a moral das vítimas, mesmo que elas sejam meninas pré-púberes de 12 anos. O passado das meninas - cabuladoras de aulas, segundo o relato da mãe de uma delas, e iniciadas na exploração sexual - foi o suficiente para que elas fossem descritas como prostitutas. Apresentá-las como prostitutas foi o arremate argumentativo da ministra: não houve crime contra a liberdade sexual, uma vez que o sexo teria sido consentido. O agressor foi, portanto, inocentado.

Descrever meninas de 12 anos como prostitutas é linguisticamente vulgar pela contradição que acompanha os dois substantivos. Não há meninas prostitutas. Nem meninas nem prostitutas são adjetivos que descrevem as mulheres. São estados e posições sociais que demarcam histórias, direitos, violações e proteções. Uma mulher adulta pode escolher se prostituir; uma menina, jamais. Sei que há comércio sexual com meninas ainda mais jovens do que as três do caso - por isso, minha recusa não é sociológica, mas ética e jurídica. O que ocorria na praça onde as meninas trocavam a escola pelo comércio do sexo não era prostituição, mas abuso sexual infantil. O estupro de vulneráveis descreve um crime de violação à dignidade individual posterior àquele que as retirou da casa e da escola para o comércio do sexo. O abuso sexual é o fim da linha de uma ordem social que ignora os direitos e as proteções devidas às meninas.

Meninas de 12 anos não são corpos desencarnados de suas histórias. As práticas sexuais a que se submeteram jamais poderiam ter sido descritas como escolhas autônomas - o bem jurídico tutelado não é a virgindade, mas a igualdade entre os sexos e a proteção da infância. Uma menina de 12 anos explorada sexualmente em uma praça, que cabula aulas para vender sua inocência e ingenuidade, aponta para uma realidade perversa que nos atravessa a existência. As razões que as conduziram a esse regime de abandono da vida, de invisibilidade existencial em uma praça, denunciam violações estruturais de seus direitos. A mesma mãe que contou sobre a troca da escola pela praça disse que as meninas o faziam em busca de dinheiro. Eram meninas pobres e homens com poder - não havia dois seres autônomos exercendo sua liberdade sexual, como falsamente pressupôs a ministra.

O encontro se deu entre meninas que vendiam sua juventude e inocência e homens que compravam um perverso prazer. Sem atenuantes, eram meninas exploradas sexualmente em troca de dinheiro.

Qualquer ordem política elege seus absolutos éticos. Um deles é que crianças não são seres plenamente autônomos para decidir sobre práticas que ameacem sua integridade. Por isso, o princípio ético absoluto de nosso dever de proteção às crianças. Meninas de 12 anos, com ou sem história prévia de violação sexual, são crianças. Jamais poderiam ser descritas como “garotas que já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data”. Essa informação torna o cenário ainda mais perverso: a violação sexual não foi um instante, mas uma permanência desde muito cedo na infância. Proteger a integridade das meninas é um imperativo ético a que não queremos renunciar em nome do relativismo imposto pela desigualdade de gênero e de classe. O dado de realidade que deve importunar nossos magistrados em suas decisões não é sobre a autonomia de crianças para as práticas sexuais com adultos. Essa é uma injusta realidade e uma falsa pergunta. A realidade que importa - e nos angustia - é de que não somos capazes de proteger a ingenuidade e a inocência das meninas.

* Debora Diniz é professora da UNB e pesquisadora da Anis: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero


Acesse em pdf: Adequação ad hoc, por Debora Diniz (O Estado de S. Paulo - 01/04/2012) 
Leia também: (Agência Patrícia Galvão) A decisão de STJ (Superior Tribunal de Justiça) - que inocentou um homem acusado de estuprar duas meninas de 12 anossob a alegação de que não poderia ser usado o argumento da presunção da violência pelo fato de elas se prostituírem - gerou reações imediatas de repúdio, tanto por parte de autoridades - ministros/as e parlamentares - como de especialistas e de organizações e articulações de movimentos sociais.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Calendário de Reuniões 2012.1

Para o primeiro semestre de 2012, o GEPECJU elegeu como tema de suas discussões as abordagens metodológicas na pesquisa sobre juventude. Desse modo, estaremos debatendo textos cujo conteúdo esteja voltado para a referida temática. Nosso calendário de reuniões será o seguinte:

Abril: dias 03 e 08
Maio: dias 02, 16 e 30
Junho: dias 13 e 27

Nossas reuniões acontecem a partir das 16h, na sala dos núcleos de pesquisa do curso de Pedagogia da UVA, no Campus da Betânia e são abertas a todos aqueles que queiram partcipar. Nos encontros de abril estaremos debatendo a introdução e os capítulos I, II e III do livro Culturas Juvenis de José Machado Pais. Posteriormente divulgaremos os textos a serem debatidos nos encontros dos meses seguintes.

terça-feira, 20 de março de 2012

Site com Bibliografia Completa de José Machado Pais

Está disponível na web um site com a bibliografia completa de José Machado Pais, pesquisador português considerado uma das grandes referências nos estudos sobre juventude na Europa. No site há artigos completos em PDF para baixar, além da lista de todos os livros publicados pelo autor com resumo e índice de cada um deles.

Vale a pena conferir!!!!